O nome é muito popular: MP3 está em todo lugar hoje em dia. Do anúncio da TV com equipamentos que tocam MP3 até mesmo na rua com os celulares à todo vapor tocando mais e mais Mp3. E ainda por cima os chineses fizeram o “favor” de fundir (ou confundir) o nome do formato com o nome do equipamento: MP8, MP11 (varia de acordo com as funcionalidades do aparelho). Afinal, o que existe de tão revolucionário neste arquivo pequeno de música? A resposta está na própria pergunta: o TAMANHO.

Mp11: o aparelho na verdade é uma alusão ao formato do arquivo de áudio.

Uma viagem de 10 anos no passado nos mostra um quadro bem diferente: no Brasil a Internet ainda estava sendo “descoberta” e muitos usuários compravam o “MODEM” e depois tinham que pagar uma fortuna num provedor (na época o UOL era quase o único provedor de acesso à Internet – se pagava até mesmo para se ter um e-mail e a navegação era paga por hora e por um preço bem salgado). Apareceram alguns provedores gratuitos e alguns modelos de “modem” discados mais baratos (os caríssimos U.S. Robotics eram o sonho de consumo na época).  A velocidade era nominal: 56 Kbps – mas isso quase nunca acontecia. Os downloads eram lentos, a Internet então, quando não caia ficava alguns minutos para se carregar uma imagem completa. Era o caos.

O formato de áudio tradicional do Windows é o tão famoso WAV. Tão famoso quanto pesado, cada minuto de áudio em WAV podia ter até 10 megas de tamanho. Na média, uma música de 3 minutos demoraria 2 horas para ser baixada, isso se a conexão não caísse ou ficasse muito lenta. Impraticável.
Foi nesse ambiente hostil que apareceu o formato MP3. Com sua alta taxa de compressão podia transformar os 10 megas do WAV em 1 mega por minuto sem perdas significativas de qualidade.  Foi o começo da revolução.

Mas até então, você podia pegar seus CDs em casa (originais na época, já que um gravador de CD era até então um artigo de luxo para PCs) e transforma-los arquivos MP3. Você podia então criar um tipo de “audioteca” no seu HD. Mas ainda faltava alguma coisa. 

Foi quando um jovem chamado Shawn Fanning teve uma idéia: se existisse um programa que pudesse ligar usuários do mundo todo para poder trocar MP3 das suas “audiotecas” pessoais? Em 1999 foi lançado o programa NAPSTER, que permitia essa troca. O que parece banal para nós hoje, foi uma revolução na época.

Mesmo para usuários com uma conexão discada (dial-up), baixar um arquivo MP3 era possível. O programa era de fácil instalação, o uso era intuitivo e o melhor: era de graça. Assim como as músicas baixadas.

Bem, não é bem assim: as gravadoras concordam nem um pouco com essa conversa de “as músicas podem ser baixadas de graça”. Isso significava que você não precisaria mais comprar aquele CD do Oingo Boingo fora de catálogo a um preço absurdo para ouvir a música “Stay”. Bastava uma busca simples no Napster e, pronto, estava lá pronta para se baixar. De graça. Um CD a menos vendido. Um prego a mais no “caixão” do formato CD.  O que se viu depois foi uma batalha travada em tribunais e até mesmo na mídia contra o coitado do MP3: até mesmo o Metallica se declarou contra a troca de arquivos, colocando na rede Napster MP3 corrompidos ou falsos com mensagens contra a pirataria. Mas foi em vão, pois quando as gravadoras perceberam o perigo, o formato já estava popular demais para ser “barrado”.

Na luta das gravadoras contra o MP3 de tudo já foi usado: até mesmo sistemas de anticópias que impediam do CD ser lido num computador. As medidas foram tiros que sairam pela culatra.

O U2 também tentou usar sistema antipirataria mas desistiu antes do lançamento do CD

A rede Napster saiu do ar, mas enquanto eles tentavam tapar o sol com a peneira, já havia uma outra rede funcionando em paralelo: dessa vez não era só arquivos em MP3,  todo tipo de documento e arquivo podia ser compartilhado. E o detalhe que desta vez não existia um servidor central para ser derrubado: numa rede P2P os arquivos são indexados diretamente com o usuário, sem precisar de um servidor, garantindo desta forma um certo tipo de anonimato. Mas essa é uma parte diferente da história que nós vamos discutir no próximo artigo, já que é uma longa história e que até agora, nem chegou ao fim ainda…

Até a próxima
Alexandre Rosa
Músico, professor e diretor da Audiologic